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Questão LGBT : Psicologia X Religião

Infelizmente , muitos acham que há um exagero midiático sobre o assunto preconceito e direitos iguais em relação a galera LGBT. Enquanto continuar um alto índice de preconceito e, principalmente, violência contra pessoas que resolveram viver sua verdadeira vontade em vez de se auto-mutilarem psiquicamente por ter que fingir algo que não são, esse assunto precisará continuar em "voga".


 Principalmente, quando religião + política querem se meter na área da saúde mental, no caso, da Psicologia que é uma ciência. Esse absurdo do Silas Malafaia e Feliciano quererem suspender dois trechos de resolução instituída em 1999 pelo Conselho Federal de Psicologia - o primeiro trecho afirma que"os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades". E ainda querem Anular o artigo da resolução que determina que"os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica".


http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/06/1293331-com-bate-boca-votacao-de-projeto-sobre-cura-gay-e-adiada-novamente.shtml


    Alguns psicólogos da bancada evangélica alegam que a pessoa deve ter o direito de se curar com um psicólogo (de preferência cristão - indicado pelo pastor), caso deseje essa "cura"; mas a questão é que esse desejo acontece devido a pressão religiosa e social, ou seja, o sujeito não se aceita pelo fato do preconceito que sofre no meio em que vive, algo bastante torturante para emocional de qualquer pessoa e por isso, procuram dirigentes religiosos buscando uma cura que não existe.


    Se colocar no lugar da pessoa nessa situação nos dá uma ideia básica sobre essa questão : Imaginemos, em uma realidade em que o padrão social imposto pela religião e meio familiar sobre orientação sexual "certa", "aceitável" é homoafetiva, qualquer outra orientação é patologia ou pederastia ou algo maligno ;  mas FULANO tem desejos pelo sexo oposto e somente pelo oposto (hetero), mas para agradar família, Ser Aceito , Amado e Respeitado no meio em que nasceu e pelas pessoas que ama, busca forçosamente a viver como um gay. O que acontece com o sujeito em questão? Vive um alto sofrimento emocional, pois vive essa luta interna (conflito) devido ao que exigem dele versus o que ele é (sente).


   Óbvio que uma pessoa nessa situação, vai ficar muito desequilibrada emocionalmente e acaba sendo "forçada" a procurar uma suposta cura , visto que ninguém quer ser desprezado, odiado etc. Só que não existe cura, pois não é uma doença ou um transtorno, seria o mesmo que dizer fulano é  branco e quer se tornar negro (vice-versa), antigamente, ser negro era considerado uma patologia para os brancos, e sabemos que isso foi fruto do desconhecimento e, principalmente, preconceito racial , preconceito pela diferença da cor de pele.


    Em suma,  a função do Psicólogo é ajudar o outro a se aceitar como é por inteiro. Não só a psicologia , mas outras áreas científicas corroboram essa questão da não patologização dessa questão - neurocientistas e biogeneticistas já admitem que


"A orientação sexual humana é uma característica multifatorial, influenciada tanto pelos genes como também pelo ambiente. Há fortes evidências de que o substrato neurobiológico para a orientação sexual já está presente nos primeiros anos de vida. Não há evidência de nenhuma variável ambiental controlável capaz de modificar de maneira permanente a orientação sexual de um indivíduo."

Leia mais :

http://sbg.org.br/2013/03/manifesto-da-sociedade-brasileira-de-genetica-sobre-bases-geneticas-da-orientacao-sexual/


Vejam essa campanha linda que trata sobre essa questão:


"Quero saber como é não ser considerado uma doença por não agradar uma maioria. (...) Quero saber como é, não ter minha sexualidade negada, não ter que sentir essa dor aqui dentro ... não pensar em me matar. Quero saber como é, viver em um Mundo sem ódio , um mundo que não discrimina , um mundo no qual eu possa me sentir seguro sendo gay , bi ou hetero (...) Quero saber como é conhecer um sentimento de plena igualdade, ser parte de uma humanidade."


Postado originalmente: http://danielelopespsi.blogspot.com/2013/06/questao-lgbt-psicologia-x-religiao.html

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